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O erro ao calcular preço de venda que faz a empresa vender muito e lucrar pouco

Calcular preço de venda somando 30% ao custo não dá 30% de lucro. Veja o erro mais comum, a fórmula do markup com exemplo em reais e quando rever o preço.

Barbeiro cortando cabelo com pente e máquina, um serviço em que calcular preço de venda pela hora faz diferença

A agenda está cheia, o caixa gira, mas no fim do mês quase não sobra nada. Se isso soa familiar, o problema pode estar no jeito de calcular preço de venda. O método mais usado nas pequenas empresas é pegar o custo e somar uma porcentagem, como 30% ou 50%. Ele parece seguro, mas esconde um erro que come o lucro em silêncio.

Neste texto, você vai ver por que “custo mais 30%” não dá 30% de lucro, qual é a fórmula que resolve isso e como aplicar num exemplo em reais. No fim, há uma tabela para conferir o seu preço em 10 minutos.

Qual é o erro mais comum ao calcular preço de venda?

O erro é somar uma porcentagem ao custo e achar que essa porcentagem é o lucro. Ela não é. Do preço final ainda saem imposto, taxa de cartão, comissão, aluguel, salários e o seu pró-labore. O que sobra depois disso costuma ser bem menor do que você imaginava.

O próprio Sebrae/PR alerta, no passo a passo de preço de venda, que muita gente calcula o preço “adicionando um percentual sobre o custo”, e que isso não garante a margem real. É a diferença entre markup e margem, dois nomes que parecem iguais e não são.

Veja um exemplo simples. Um serviço custa R$ 100 em material e mão de obra. O dono soma 30% e cobra R$ 130. Agora desconte o que sai de cada venda:

  • Imposto do Simples, por exemplo 6%: R$ 7,80.
  • Taxa da maquininha, por exemplo 3%: R$ 3,90.
  • Comissão do vendedor, 5%: R$ 6,50.
  • Parte das despesas fixas, 15% do faturamento: R$ 19,50.

Somando, são R$ 37,70 saindo de cada venda. Com o custo de R$ 100, a conta fecha em R$ 137,70. O dono cobrou R$ 130. Cada serviço vendido dá R$ 7,70 de prejuízo, e quanto mais ele vende, mais perde.

Mãos fazendo contas numa calculadora ao lado do notebook, como quem vai calcular preço de venda com cuidado
Imagem: Wilfred Iven (CC0 1.0) via stocksnap

Markup não é margem: a tabela que mostra a diferença

Markup é o quanto você soma ao custo; margem é quanto do preço fica com você. Como a margem é calculada sobre o preço, que é maior que o custo, ela sempre sai menor que o markup. E essa margem ainda é bruta: dela saem impostos e despesas fixas.

Você soma ao custo Preço de um custo de R$ 100 Margem bruta real Sobra antes de impostos e despesas
20% R$ 120 16,7% R$ 20
30% R$ 130 23,1% R$ 30
50% R$ 150 33,3% R$ 50
100% R$ 200 50,0% R$ 100

Repare: dobrar o custo, os famosos “100%”, gera 50% de margem bruta. Se impostos, taxas e despesas fixas levam 35% do preço, o lucro de verdade fica perto de 15%. Ainda é bom, mas está longe dos 100% que o dono tinha na cabeça.

Como calcular o preço de venda do jeito certo

O jeito certo é usar o markup divisor: 100 dividido por 100 menos a soma das porcentagens que saem do preço. Depois, você multiplica o custo direto por esse número. Essa é a fórmula ensinada pelo Sebrae/PR no guia de como calcular o preço de venda.

A fórmula fica assim:

Markup = 100 ÷ [100 − (custos variáveis % + despesas fixas % + lucro desejado %)]

Preço de venda = custo direto × markup

No exemplo do Sebrae, um produto custa R$ 46. Os custos variáveis de produção somam 12%, os de venda 15%, as despesas fixas 20% e o lucro desejado 30%. A soma dá 77%. O markup é 100 ÷ 23 = 4,35, e o preço fica em R$ 200,10.

O mesmo serviço de R$ 100, agora com a conta certa

Voltando ao serviço que custava R$ 100. Os custos variáveis são imposto (6%), maquininha (3%) e comissão (5%): 14%. As despesas fixas são 15%. O dono quer 10% de lucro líquido. A soma é 39%.

  1. Markup: 100 ÷ (100 − 39) = 100 ÷ 61 = 1,64.
  2. Preço: R$ 100 × 1,64 = R$ 163,93.
  3. Conferência: dos R$ 163,93 saem R$ 22,95 de variáveis e R$ 24,59 de fixos. Com o custo de R$ 100, sobram R$ 16,39, que são os 10% de lucro.

A diferença entre R$ 130 e R$ 163,93 é a diferença entre perder e ganhar dinheiro com o mesmo serviço. Talvez o mercado não aceite R$ 163,93. Mesmo assim, é melhor saber disso com clareza do que descobrir só quando o caixa aperta.

Como descobrir a porcentagem das despesas fixas

Divida o total das despesas fixas do mês pelo faturamento médio do mês e multiplique por 100. Use a média de pelo menos três meses, para não se enganar com um mês muito bom ou muito ruim. Esse é o número que mais gente erra, porque esquece alguma despesa.

Coloque na conta tudo o que você paga mesmo sem vender nada:

  • Aluguel, condomínio, água, luz e internet.
  • Salários e encargos da equipe fixa.
  • O seu pró-labore, o salário do dono.
  • Contador, sistemas, aplicativos e mensalidades.
  • Marketing fixo, como gestão de redes ou anúncios mensais.

Exemplo: as despesas fixas somam R$ 12 mil por mês e o faturamento médio é de R$ 80 mil. A conta é 12.000 ÷ 80.000 × 100 = 15%. Se a equipe tem gente CLT, faça a conta completa com a tabela de quanto custa um funcionário CLT. O salário da carteira é só uma parte do custo.

Costureira trabalhando na máquina de costura em sua banca, exemplo de serviço em que a hora de trabalho entra no preço
Imagem: Mark Fischer (BY-SA 2.0) via flickr

E quando o que você vende é tempo?

Em serviços, o custo principal é a hora de quem executa, então calcule primeiro o custo da sua hora produtiva. Divida as despesas fixas mensais, com o pró-labore, pelas horas que você realmente consegue vender no mês. Não use as horas em que a empresa fica aberta.

Pense numa clínica de estética com uma profissional. As despesas fixas, com o pró-labore, somam R$ 12 mil por mês. Ela fica 176 horas no espaço, mas só 110 horas são de atendimento. O resto vai para limpeza, intervalos, cancelamentos e WhatsApp. O custo da hora produtiva é R$ 12.000 ÷ 110 = R$ 109.

Um procedimento de 1h30 tem, então, R$ 163,50 de custo de estrutura. Somam-se os produtos usados, e só depois entram o markup de impostos, taxas e lucro. Quem calcula pelas 176 horas cobra barato demais sem perceber.

Aqui aparece um ganho escondido. Cada hora que sai do operacional e vira atendimento barateia a hora produtiva. Responder agendamentos, confirmar horários e mandar lembretes pode ficar no automático. A lista de tarefas repetitivas para automatizar mostra por onde começar.

Quer ver como isso funcionaria na sua empresa? Agende um diagnóstico com a Titanium Solutions.

5 sinais de que o seu preço está errado

Se dois ou mais destes sinais aparecem no seu negócio, vale refazer a conta antes de buscar mais clientes. Vender mais com o preço errado só aumenta o prejuízo, ou o cansaço.

Sinal O que provavelmente está acontecendo
Agenda cheia e caixa vazio Preço abaixo do custo real
Você não sabe quanto sobra de cada venda Preço definido no olho ou copiado
Todo cliente fecha sem negociar Preço possivelmente abaixo do mercado
O cartão parcelado “come” a venda Taxas fora do cálculo
Você não tira pró-labore fixo Seu salário não está no preço

Não repassar aumento de custo também é muito comum. Uma pesquisa do Sebrae com o IBGE, publicada pela Jovem Pan em junho de 2023, mostrou que 78% dos empresários tiveram aumento de custos. Mesmo assim, 49% não repassaram nada aos clientes, e só 8% repassaram tudo.

Como reajustar o preço sem perder cliente

Reajuste aos poucos, com aviso prévio e mostrando o que o cliente recebe. Um aumento pequeno e anunciado com antecedência assusta menos do que um salto grande e de surpresa. E quem compra pelo valor do serviço raramente troca de fornecedor por uma diferença pequena.

  1. Avise com 30 dias de antecedência, por mensagem individual para os clientes fiéis.
  2. Explique em uma frase o motivo, como material, aluguel ou equipe.
  3. Mantenha o preço antigo por um tempo para quem fechar pacote ou pagar à vista.
  4. Crie uma opção mais simples para quem só consegue pagar menos.
  5. Treine quem atende para responder à objeção de preço com calma.

Mudanças no imposto também pedem revisão da tabela. Se a sua empresa é do Simples, leia o post sobre IBS e CBS no Simples Nacional. E, quando mandar o orçamento com o preço novo, use o roteiro de follow-up de orçamento para não deixar a venda esfriar.

Conclusão: refaça a conta antes de buscar mais clientes

Calcular preço de venda somando uma porcentagem ao custo é rápido, mas engana. Markup não é margem, e do preço ainda saem imposto, taxas, comissões, despesas fixas e o seu salário. A fórmula do markup divisor resolve isso: some as porcentagens, aplique 100 ÷ (100 − soma) e multiplique pelo custo.

O próximo passo cabe numa tarde. Liste as despesas fixas do mês, com o pró-labore, calcule a porcentagem sobre o faturamento e refaça o preço dos seus três serviços mais vendidos. Depois, compare com o que você custa para atrair cada cliente, usando a conta de como calcular o custo por cliente. Se quiser ajuda para organizar processos e liberar horas da equipe, agende um diagnóstico gratuito.

Leia também: Como fazer fluxo de caixa na pequena empresa: modelo pronto para copiar e preencher em 30 minutos

Fontes

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre markup e margem de lucro?

O markup é o número que você multiplica pelo custo para chegar ao preço. A margem é quanto sobra do preço depois de pagar tudo, em porcentagem da venda. Por isso, somar 30% ao custo não gera 30% de margem: gera cerca de 23%, e isso antes de descontar impostos, taxas e despesas fixas.

Como calcular o preço de venda de um serviço?

Some o custo direto do serviço, como material e tempo de quem executa. Depois, calcule a porcentagem que impostos, taxas, comissões, despesas fixas e lucro representam sobre o preço. Use a fórmula do markup: 100 dividido por 100 menos a soma dessas porcentagens. Multiplique o custo pelo resultado.

O pró-labore entra no preço de venda?

Entra. O pró-labore é o salário do dono e deve fazer parte das despesas fixas mensais da empresa. Se ele fica de fora, o preço parece competitivo, mas o dono trabalha de graça. Um erro comum é considerar como lucro aquilo que, na verdade, deveria ser a remuneração de quem toca o negócio.

Posso simplesmente copiar o preço do concorrente?

Olhar o concorrente é útil para saber se o seu preço está dentro do que o mercado aceita, mas copiar é arriscado. A estrutura de custos dele é diferente da sua. Calcule primeiro o seu preço mínimo e só depois compare. Se o mercado paga menos do que o seu custo, o problema está nos custos ou no posicionamento.

De quanto em quanto tempo devo rever os preços?

Revise pelo menos uma vez por ano e sempre que um custo importante mudar, como aluguel, salários, material ou impostos. Mudanças na tributação também pedem revisão. Rever com frequência permite reajustes pequenos e previsíveis, que o cliente aceita melhor do que um aumento grande de uma vez.

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